Com o passar dos anos, o ponto de vista das pessoas com relação à literatura mudou.
Antigamente, era bastante comum a procura por livros como forma de estudo, principalmente antes da criação dos sistemas de pesquisa online. Contudo, isso não significa que a ficção e a fantasia não fizessem parte do cotidiano como uma das principais práticas de lazer.
Já nos dias atuais, o número de leitores aumentou significativamente, apesar de o nível de distrações ser muito superior. Ainda assim, há quem considere a literatura como uma perda de tempo, já que podemos encontrar praticamente tudo na internet como apenas um “clique”.
Mas o que, de fato, existe por trás de todas aquelas palavras?
O que as pessoas que não possuem o hábito da leitura não enxergam a olho nu?
Posso falar abertamente sobre esse tema, pois eu já fiz parte desse grupo de pessoas. Um dia, há muitos anos, o pensamento de que ler era uma perda de tempo se apossou da minha mente.
O que eu não conseguia compreender naquela época era o poder que simples palavras unidas podem ter sobre nós e a diferença que podem fazer em nossas vidas.
Um livro que guardarei para sempre em meu coração, devido à importância que teve na minha vida, faz parte da saga Minha Vida Fora de Série, de Paula Pimenta. Foi a primeira vez que estive em uma livraria e, entre todas as inúmeras opções ali presentes, esse foi o livro que mais se destacou para mim. Tanto que já comprei o segundo livro juntamente com o primeiro.
Eu tinha apenas treze anos quando iniciei essa leitura, assim como a protagonista, Priscila. Pode parecer difícil de acreditar, mas aprendi muito sobre mim mesma e sobre quem eu gostaria de ser no futuro a partir de determinadas reflexões apresentadas naquele livro.
Afinal de contas, certas experiências fazem parte da adolescência da maioria das pessoas, e o que as diferencia é a maneira como cada uma lida com os obstáculos que vão surgindo pelo caminho.
Talvez seja coisa da minha cabeça, ou não, mas sinto que, a cada fase complicada pela qual passo, normalmente encontro nos livros uma reflexão que parece corresponder à resposta que preciso para resolver aquele conflito.
A questão é que, a meu ver, nada nesta vida é por acaso. Se sentimos vontade de ler uma determinada obra, é porque algo ali chamou a nossa atenção. E não é porque uma história contém dragões, fadas ou vampiros que significa que não podemos aprender algo com os pensamentos e as ideias apresentadas pelo autor.
Tudo está na maneira como interpretamos aquilo que estamos lendo. O autor pode querer transmitir uma coisa de maneira discreta, enquanto nós compreendemos outra completamente diferente, mas que, de alguma forma, faz sentido para nós.
Talvez seja justamente essa uma das maiores riquezas da literatura: uma mesma história pode despertar sentimentos e reflexões diferentes em cada pessoa.
A conclusão desse pensamento é que a leitura pode nos transformar completamente. Não do dia para a noite, mas gradualmente.
Um livro pode não nos dar uma resposta pronta para os problemas da vida, mas pode nos fazer enxergar determinada situação por outro ângulo. Pode nos apresentar uma pessoa completamente diferente de nós, uma realidade que nunca vivemos ou até mesmo um sentimento que ainda não sabíamos explicar.
Vamos viver uma vida inteira e, mesmo assim, não vamos aprender tudo o que podemos com o mundo. Por isso, precisamos extrair dele tudo de bom que tem a nos oferecer.
A internet nos permite encontrar informações em questão de segundos, mas os livros podem nos ensinar a permanecer diante de uma ideia, refletir sobre ela e, quem sabe, enxergar a nós mesmos de uma maneira diferente.
No fim, talvez os livros nunca tenham sido apenas uma forma de adquirir conhecimento ou passar o tempo.
Talvez sejam uma das maneiras que encontramos de conhecer o mundo, conhecer outras pessoas e, principalmente, conhecer a nós mesmos.
E foi somente quando comecei a ler que finalmente consegui compreender isso.



